Berlim, Efeito Suécia

Este ano o inverno está estranho. Ano passado já nevava no início de novembro e a temperatura em Berlim chegou a menos vinte graus. Já estamos no meio de dezembro e há dias que a temperatura chega a 10 graus, sendo o normal da última semana uns 5 graus. Foram dois anos de extremos. Acho que estão compensando pelo verão lamentável de chuvas e temperatura a 15 graus que tivemos este ano.

 De qualquer forma, o que eu gostaria de comentar esta semana é o sol. A primeira vez que vim a Europa, há quase oito anos, foi para a Itália onde vivi por uns meses para aprender italiano. Por alguma razão, Florença estava tomada por suecos (talvez seja o mesmo fenômeno com australianos em Berlim) e a minha escola também. Cheguei no mês de março em um ano onde o inverno foi mais rigoroso que o normal, portanto ainda fazia bastante frio. Estudávamos em um prédio antigo sem elevador e todo dia tínhamos um intervalo de 10 minutos. Claro que eu ficava lá pelo prédio, não ia descer e subir as escadarias por conta de 10 minutos, mas todos os suecos desciam e se aglomeravam em uma frestinha de sol com os olhos fechados e o rosto voltado para o céu.

Spreepark | photo by @mundodaro

Spreepark | photo by @mundodaro

Achava todos bizarros. Sendo brasileira, nunca dei muito valor ao sol, ele está sempre lá em cima, brilhando. Hoje, essa minha visão mudou bastante. Quando cheguei em Berlim no verão, eu saía da escola às 20h e o sol ainda estava lá. Aos poucos ele começou a sumir durante o meu intervalo. Hoje já está escuro uma hora antes da aula e só temos oito horas de sol por dia. De sol não, de luz. Estou sofrendo o que eu chamo de Efeito Suécia e mal posso esperar pra me plantar em uma frestinha de sol quando ele aparece e ficar lá fazendo fotossíntese.

Sol no inverno de Berlim | photo by httpwww.fotocommunity.de

Sol no inverno de Berlim | photo by httpwww.fotocommunity.de

Outra coisa que muda muito e que não me acostumei quando morava na Itália e ainda me custa a acostumar vivendo aqui é não se guiar pelo sol. No Brasil não há grandes diferenças entre inverno e verão, o sol nasce um pouco mais cedo e se põe um pouco mais tarde. Aqui a diferença é enorme. Já perdi vários trens por pensar “tenho tempo, meu trem é às 21h e ainda está de dia” e aí danou-se, já são 21h30 e ainda é dia. Agora me pego sempre pensando “nossa, já está escuro, perdi a hora da aula!” e ainda são 16h30.
São pequenas coisas que estamos condicionados a fazer e nem sabemos. Pequenas coisas também que aprendemos a valorizar.

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Sobre

Júnior Gomes

Júnior Gomes é um cearense cabra da peste, que desde 2009 começou a mochilar e já conquistou 19 carimbadas no seu passaporte. Morou no Sul do Chile e sonha em completar os 50 países até os 50 anos. Fundou o blog para ajudar outros viajantes, priorizando dicas de como viajar muito e gastar pouco. Ao lado dos seus amores, Bel (esposa) e Kika (cadelinha), sonha em curtir um sabático pelo mundo.

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