Bolívia – Expedição Salar de Uyuni | Soroche o mal da altitude

Como prometi no post anterior – Bolívia – Expedição Salar de Uyuni | 1ª Noite – vou compartilhar um pouco do que sofremos com o soroche, lembrando que isso é algo bastante particular e as reações podem ser diferentes com cada pessoa. No nosso grupo, eu fui o primeiro, depois todos passaram mal ao longo dessa viagem.

Expedição Salar de Uyuni - Soroche O Mal da Monatanha | Photo by Júnior Gomes @juniorgomesce

Expedição Salar de Uyuni - Soroche O Mal da Monatanha | Photo by Júnior Gomes @juniorgomesce

Mas afinal, o que é esse tal de SOROCHE?

  • Conhecido mundialmente como o Mal da Montanha;
  • Falta de adaptação do organismo a hipoxia (falta de oxigênio);
  • A maior causa/transtorno está relacionada diretamente a velocidade de alcance da altitude;
  • No sentido inverso, o mal desaparece quando estamos baixando sentido nível do mar;
  • O soroche é observado a partir de 2.400 mts de altitude, até a zona da morte aos 7.000 mts;
  • Os sintomas podem ser diversos, isso vai de pessoa para pessoa. São eles: náuseas (eu tive), dor de cabeça forte (eu tive), vômito (tive muito!), falta de apetite (eu tive), esgotamento físico (eu tive), sonolência (eu tive) ou insônia (não tive), despertar do sono com falta de ar com sensação de afogamento (não tive);
  • O fato de já ter ido 10 vezes ou 1 vez para locais de altitude elevada, não impede que os sintomas se repitam;
  • Os sintomas mais graves são: Edema Pulmonar ou Cerebral (eu fiquei com medo!).
Expedição Salar de Uyuni - Muito mal no alojamento | Photo by Augusto Araujo

Expedição Salar de Uyuni - Muito mal no alojamento | Photo by Augusto Araujo

Como agir frente ao SOROCHE?

  • Apareceram os sintomas, pare de subir e aguarde melhorar para continuar;
  • Não melhorou, procure descer;
  • O diagnóstico do soroche é clínico, a observação vai indicar o mal;
  • Veja esse artigo do site ACCIONDIRECTA falando sobre o assunto, acho um dos mais completos e explicativos.
Dica 1: Prepare-se fisicamente para enfrentar a altitude. Tenho problema de pressão alta desde os 20 anos, no entanto bastante controlada, vou ao médico regularmente e isso nunca foi motivo para deixar de fazer nada na minha vida. Porém, como estava indo para um região onde iríamos passar muitos dias em altitudes elevadas, resolvi começar a me preparar fisicamente 6 meses antes. Perdi peso, mudei minha alimentação e alguns hábitos do cotidiano. Os resultados foram excelentes, mas quando iniciei a Expedição do Salar de Uyuni a conversa foi diferente.

Dica 2: Procure beber de 3 a 6 litros de água por dia em altitudes elevadas. Não ingerir bebidas alcoolicas nas primeiras 48h (caso vá para baixas altitudes, nas maiores nem pensar!), embora vi alguns enchendo a cara a noite toda e não sofrendo nada com a altitude. Chá de coca ajuda muito, beba sempre que possível e sempre masque a folha de coca também.

Expedição Salar de Uyuni - Sorojchi Pillis | Mistura de ácido acetilsalicílico (Aspirina*), cafeína e um analgésico/antipirético (salófeno)

Expedição Salar de Uyuni - Sorojchi Pillis | Mistura de ácido acetilsalicílico (Aspirina*), cafeína e um analgésico/antipirético (salófeno)

Dica 3: Não faça esforço físico, eu fiz logo na chegada e isso foi o meu grande problema. Cai na besteira de sair do carro correndo na Laguna Verde e quando retornei estava passando mal. Depois passei o dia sentindo dores de cabeça e náuseas.

Expedição Salar de Uyuni - Chá de Coca | Photo by Júnior Gomes

Expedição Salar de Uyuni - Chá de Coca | Photo by Júnior Gomes

Um pouco do que passei…

Saímos pela manhã de San Pedro do Atacama a 2.400mts e em menos de 2h já estávamos a quase 4.000mts. Essa pancada de altitude rápida no meu organismo foi cruel, associada a esforço físico que fiz ao sair do ônibus (troca de carros) e na Lagoa Verde quando fui sacar algumas fotos.  Logo comecei a sentir dor de cabeça, depois muito sonolencia e indisposição. No horário do almoço cheguei a descer e sentar na mesa (com muito sacrifício), mas retornei para o carro por conta das náuseas. Comecei então a seguir os passos passado pela minha médica, onde o primeiro era aumentar a dosagem do medicamento de pressão e beber muita água. Depois do almoço não tive mais disposição para nada perdendo até algumas lindas paisagem ao longo da viagem por conta de estar dormindo.

Chegamos em fim no alojamento da primeira noite e meu problema só estava começando. Tentei ficar em pé e não tinha forças para sair do carro, precisei da ajuda dos amigos para me levarem até o quarto e me colocarem na cama. Dormia e acordava a cada 30min/1h, sempre com muita dor de cabeça e dores abdominais. Meus amigos não sabiam o que fazer e o guia/motorista dizia que isso era normal e que eu iria ficar bem. Sei que fui piorando cada vez mais e o pessoal conta que comecei a delirar. Foram em busca de ajuda com o guia e ele chegou logo depois com uma “pajelança” das brabas.

Sinceramente, eu já estava quase vendo Jesus, tava mal pra caramba! Imaginem a situação… ou bebe a pajelança do guia , feito pela senhora que administrava o alojamento ou ficava daquele jeito. Nessa hora os meninos me colocaram sentado na cama e fizeram em tomar aquele negocio quente e ruim. Era tipo um caldo fino de ervas, misturado com chá de coca… coisa de doido! Fiquei com muito medo de beber, mas era aquilo ou nada. Pedi que Deus abençoasse e bebi. A Vanessa  (maluca!) totalmente envolvida com a situação, começa a mandar SMS para seu pai/mãe pedindo para eles orassem/rezassem/qualquer coisa por nós. Claro que a mensagem nunca chegou e se tivesse chegado teria sido um problema pra eles. Desespero total!

O guia pediu para que eu ficasse todo coberto embaixo das cobertas e explicou que eu iria começar a suar. Foi o que aconteceu, comecei a suar igual a um bico de chaleira e comecei a sentir muito sono. Esse era meu medo, o de dormir! Sei que capotei e quando foi na madrugada comecei a arrotar sem ver nem pra que. Eram arrotos gigantes que até eu me assustava, o pessoal do quarto começou a acordar e perguntar se eu estava bem. Pois é, eu pensei que estava tudo bem, do nada começo a vomitar compulsivamente, não tive tempo de levantar nem da cama. Fiz a maior baboseira em tudo, foi terrível, fora a vergonha de todos.

Isso tudo aconteceu já por volta de umas 5h da manhã, procurei me recompor pois sairiamos por volta das 7h. Usei todos os possíveis lenços umedecidos para me limpar, pois banho com água fria naquele frio era impossível (estava uns 2ºC). Consegui ir andando para o carro e começamos a descer nesse dia, chegando a 3.500mts já no horário do almoço onde fiz minha primeira refeição após 30h. Na sequencia da viagem todos passaram por algum tipo de sintoma do Soroche, mas com menor intensidade.

O importante é que sobrevivi, estou aqui contando a historia e faria tudo novamente para ver aquela obra divina!

Expedição Salar de Uyuni - Isla del Pescado | Photo by Vanessa Aguilera @aguilera13

Expedição Salar de Uyuni - Isla del Pescado | Photo by Vanessa Aguilera @aguilera13

TODOS OS POSTS DA SÉRIE- EXPERDIÇÃO SALAR DE UYUNI

INTRODUÇÃO

BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | DICAS

1º DIA

BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 1º DIA
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 1ª NOITE
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | SOROCHE O MAL DA ALTITUDE

2º DIA

BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 2º DIA
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 2ª NOITE

3º DIA

BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 3º DIA – O DESERTO DE SAL
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 3º DIA – ISLA DEL PESCADO
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 3º DIA – HOTEL DE SAL PLAYA BLANCA
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 3º DIA – EXTRAÇÃO DE SAL (SALINAS) E PUEBLO DE COLCHANÍ
BOLÍVIA – EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI | 3º DIA – CEMITÉRIO DE TRENS EM UYUNI
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Júnior  Gomes Sobre Júnior Gomes

Júnior Gomes é analista de planejamento (Contact Center) e estudante de ADS. Mochileiro de plantão, curioso por internet, mídias sociais e pela área de turismo. Adora viajar (gastando pouco!), conhecer pessoas e culturas diferentes. Sua nova descoberta é a fotografia e sonha
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Sobre

Júnior Gomes

Júnior Gomes é um cearense cabra da peste, que desde 2009 começou a mochilar e já conquistou 19 carimbadas no seu passaporte. Morou no Sul do Chile e sonha em completar os 50 países até os 50 anos. Fundou o blog para ajudar outros viajantes, priorizando dicas de como viajar muito e gastar pouco. Ao lado dos seus amores, Bel (esposa) e Kika (cadelinha), sonha em curtir um sabático pelo mundo.

1 comentário

10 dez2014
Fernanda de Mesquita

Olá Júnior,
sou do Rio de Janeiro, e minha família é do Ceará, e neste final de ano vou visita-los, porém como eles moram no interior não tem muito o que se fazer no Reveillon, li sobre sua viagem para Pontal de Maceió no final de 2013, gostaria de saber se você indica um hotel simples só para a virada do ano e se lá existe queima de fogos e atrações para esta data, estou viajando com meu namorado e queremos gastar o minimo aproveitando ao maximo 🙂
Muito obrigada,
Fernanda

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